11/07/2017

O dia da mudança


Caixas, caixas e mais caixas, espalhadas pelo apartamento. Meu pai trazia a ultima do caminhão escrita Miguel Henrique de canetão preto. Odeio meu nome. Por que meus pais não colocaram simplesmente Miguel ou João, o segundo nome é tão desnecessário.

Abri as janelas para tirar o cheiro de mofado da sala e olhando para baixo, observo a movimentação da rua. Vi uma moça colocando varias sacolas em seu carro, um garoto saindo do prédio numa bicicleta e depois um senhor de bengala.

— Agora é só organizar essas coisas – disse meu pai, Robson, abrindo algumas caixas sob a mesa.

Passamos a tarde inteira de sábado arrumando a casa. Colocando os moveis que vieram montados no lugar e montando os fáceis. Aos poucos o apartamento foi ganhando forma e o eco diminuindo.

Meu quarto ficou parecido com o antigo de João Ramalho, a cidadezinha onde morava. Ele era tão maior que esse, mas pelo menos esse era confortável. Ainda bem que meu pai não comprou uma quitinete.

Dentro dela uma das caixas estava escrito Margarete. Sem querer, acabei misturando com as minhas coisas. A curiosidade foi mais forte, então, eu abri a caixa do meu pai, onde ele colocou tudo que o fazia lembrar-se da minha mãe. Dentro dela havia de tudo: perfumes, jóias, fotos e diários.

Mau a conheci. A única lembrança que tenho dela é de uma noite, quando tinha uns quatro ou cinco anos. Ela estava se maquiando para algum compromisso e eu a olhava maravilhado com sua beleza.

— Mamãe. Quero ser lindo igual a você – falei para ela, enquanto ficava nas pontas dos pés para me ver no espelho da penteadeira.

— Você já é lindo, Miguel – dizia ela, me colocando em seu colo e passando o seu batom vermelho.

Peguei uma foto de nós, abraçados na caixa e começou a cair lagrimas nas minhas calças. Se não fosse aquele acidente, ela estaria ali comigo.

— Miguel, comer! – gritou meu pai da cozinha.

Enxuguei minhas lagrimas e sai do quarto.

06/03/2017

O blog não morreu!!!

Desculpa o sumiço. Ultimamente ando tão abarrotado de coisas que acabei deixando o blog de lado. Me mudei recentemente e esse é meu ultimo ano de escola. Preciso muito me manter focado nos estudos e prometo que voltarei a atualizar o Menino Lit com mais frequência. E, por favor, não deixe de acompanhar o blog nas redes sociais! Até o próximo post...

Siga o Menino Lit e fique ligado

13/12/2016

Resenha: Minha Parte Silenciosa - Andrew Smith


Ano de lançamento: 2015 
ISBN: 9788582351240 
Páginas: 304 
Editora: Gutenberg 
Nota: ★★★★★()

Primeiramente, uma dica que eu dou é: NÃO LEIA A CONTRA CAPA!

Sem sua orelha direita, Stark McClellan, mais conhecido como Palito, por causa de sua altura e magreza fora do padrão, tem que viver sua vida cheia de conflitos que deixaria qualquer um louco. Primeiro ele tem que aguentas seus pais ignorantes e hostis todos os dias, que até separaram um comodo da casa para agredir Palito e seu irmão mais velho, Boustain. Se isso não fosse suficiente o garoto sem uma orelha sofre bullying e é espancado varias vezes pelos colegas da escola. 

Ao decorrer do livro conhecemos melhor o triste cotidiano de Stark. As duvidas sobre questões, como sexualidade, drogas e puberdade, e a aceitação da sua realidade  pensando que tudo que ele passa é aceitável e normal.  Ainda bem em meio de todo esse sofrimento, Palito tem o apoio de seu irmão, que o defende, e sua melhor amiga Emily, que demonstra carinho pelo garoto.
"E nada do que aconteceu conosco faria sentido se eu não deixasse os verdadeiros monstros que nadavam em minha cabeça aflorarem e mostrarem seus dentes. E não há amor na minha casa, somente regras."
O principal ponto positivo é o quanto que o livro é real, mostrando o dilemas adolescente tão autênticos. As situações que o Stark passa, o amor pelo irmão, sua baixa autoestima, vão fazer com que vários leitores se identificam em algum aspecto – eu me senti e muito. – Esse livro é capaz de fazer a gente refletir bastante sobre a vida e relação familiar.

O trabalho da editora foi muito criativo, ter tirado a orelha direita do livro propositalmente, representando a orelha que Palito não tem. A diagramação ficou bem dinamica, demonstrando como a audição de Palito funciona, com alguns espaçamentos no meio de alguns dialogos e outros alinhadas no lado direito da folha, como se as palavras tivessem presas na cabeça do garoto, sem ter por onde sair. 

Mesmo retratando tantos assuntos pesados, Andrew Smith escreve de uma forma direta, sem enrolação. Uma escrita tão rápida, que li em quase dois dia. É um livro triste e comovente e um protagonista incrível, que nos emocionam. Depois de escrever essa resenha, me bateu uma vontade de reler.

Siga o Menino Lit e fique ligado