31/12/2014

Fanfic: 3000 Miles (Capítulo 1)

 Salve, galerinha do barulho! Demoramos, mas voltamos. E com tudo! Estou super, hiper, mega, master animada para 2015! Esperamos que estejam curtindo as novidades do blog...
 Bom, essa aí é o meu xodózinho. Vai ser a fic semanal, e espero que curtam. Ela foi inspirada na música 3000 miles, da banda Emblem3. Boa leitura!



 Charlottetown, hoje

 Empurrei as postas da janela de vidro para frente, sentindo o vento gelado do inverno se chocar contra meu corpo. Estiquei um braço e deixando os flocos pousarem em minha pele quente. Era apenas neve, mas o suficiente para que meu coração se apertasse em um nó, assim como minha garganta. As lágrimas banharam meus olhos e minha respiração fez-se descompassada.
 Meus pais diziam ser drama adolescente, minha irmã dizia ser saudade, e minha avó – a mais sábia da lista, devo dizer – dizia que era paixão. Mas eu estava no time dos que acreditavam ser amor. Nada de mais. Só... amor.
 Aquele que te pega com a ponta dos dedos e faz da sua vida um inferno em segundos. Eu sentia falta disso. Da montanha-russa emocional na qual minha vida havia se transformado; de todas as lembranças boas que vieram junto; e do calor que todo esse sentimento me trazia. Calor que estava tão longe que eu sequer conseguia imaginá-lo. Sentia falta de Jazzy.
 Apertei os olhos, permitindo que mais uma lágrima escorresse. Trouxe meu braço para dentro novamente, puxando a janela para baixo. Sentei no chão abraçando os joelhos, me encostei na parede e fitei a porta. Vários poster de times de futebol, bandas de rock a preenchiam e dando um ar alegre ao quarto. A porta se abriu, revelando Nora com um sorriso simples e um olhar perdido.
 - Daniel, você não vai descer?! 
 Mordi o canto do lábio inferior, encarando-a e sentindo meu peito apertar novamente. Seu sorriso se desfez, e ela começou a caminhar até mim.
 - Você está bem? – abaixei a cabeça, encarando meus pés. Ela se sentou ao meu lado – Eu sei que deve estar sendo difícil, Dan. Mas não há nada que possamos fazer. E sabe disso.
- Você... – funguei – Você diz isso porque não teve de deixar nada para trás, Nora. Para você é fácil se lembrar de lá sem se machucar.
 Seus lábios se tornaram uma linha reta. Seu olhar se fixou no nada e me senti mal por dizer aquilo. Nora havia deixado Brandon para trás. Mas não quando voltamos para casa... e sim quando fomos embora. E assim como ela o deixou quando teve de ir, ele a deixou quando ela voltou.
 - Isso não importa. – Ela tentou sorrir – Estamos aqui agora, e é assim que tem que ser.
 Sua expressão era rude, ela se afastou de mim e levantando logo em seguida. A segui com os olhos, enquanto seus dedos passeavam pelas fotos de Jazzy na estante.
 - Você sabe como dói, não sabe? – Juro que pude a ver estremecer – Você também sente, Nora. Não finja que está bem, e não me peça para ficar. Não tem nada de errado em sentir o que sentimos agora.
 Um silêncio aterrorizante tomou conta do quarto. Estava com medo de que ela jogasse alguma coisa em mim, mas tudo que ela fez foi se virar, fazendo algo que eu nunca pensei ver em vida. Ela estava chorando, tanto quanto eu havia chorado na última semana.
 - Eu vou descer... – ela gaguejou entre soluços, enquanto se direcionava à porta – Rupert e Emma estão lá em baixo... Direi que você não está sem sentindo bem... De novo.
 Nora caminhou até a porta, parou de repente e segurando a maçaneta. Eu tinha certeza que ela estava esperando que eu mudasse de ideia, que eu superasse toda aquela dor e fosse encontrar meus amigos – tais quais esperam para me rever á mais de uma semana, desde a minha volta.
 - Espera, Nora... Eu vou com você.
***
 - Daniel! – a voz estridente de Emma foi a primeira coisa que eu ouvi, quando me revelei no alto da escada, seguido por Nora.
 - Não acredito, cara! Pensei que nunca mais fosse ver você! – Rupert abraçou Emma pela cintura, sorrindo. Seus cabelos ruivos caíam pelos olhos, mas eram incapaz de esconder a felicidade que transparência pela minha presença.
 Nora me deu tapinhas nas costas e seguiu para a cozinha. Onde pelo cheiro, mamãe preparava brownies. Abracei os dois, e me sentei no sofá, observando a lenha queimar. Me sentia exatamente assim. Queimando por dentro e soltando aqueles estalinhos estranhos. Sabe aquela dor insuportável, que por mais que você tenha a certeza de que vai passar, nada faz sentindo enquanto você ainda a sente? Era horrível.
  Passei a mão pelo sofá, segurando o choro. Encarei Rupert e Emma, que me fitavam com um olhar preocupado.
 - O que foi?! – indaguei, com a voz mais natural que consegui reproduzir.
 - Olha, se não quiser ouvir um sermão de como eu não gosto de ser feita de tola, é melhor começar a falar. – Emma praguejou, enquanto cutucava os marshmallows que estavam em cima da mesa.
 Respirei fundo, fechando os olhos por um instante e abrindo-os em seguida. Eu tinha que fugir daquilo, não sabia bem como, mas não dava para contar a toda a história. Pelo menos não sem me diluir em prantos.
 - E vocês? – pigarreei – Ainda não me contaram como foi que se descobriram apaixonados um pelo outro.
 Franzi o cenho, notando pela primeira vez como era estranho vê-los juntos. Sempre fomos melhores amigos. Sempre mesmo. Crescemos juntos. E nunca pensei que eles fossem acabar juntos. Tipo, juntos mesmo. Óbviamente eu morria de medo de que aquele relacionamento não terminasse bem, estragando nossas amizades também. Mas era um risco que tínhamos de correr.
  -  Ah, foi de repente... – Rupert beijou o rosto dela, que se afastou e abriu um largo sorriso.
 - Começamos a sair... Tipo, do nada. Ele me convidou e eu aceitei... Fomos á um restaurante, eu derrubei vinho em um garçom e quase fomos expulsos por falar tanta besteira. Nossa, você tinha que ver, teve uma vez que...
 - Emma, meu amor! – Rupert a calou com um beijo. Provavelmente a única forma segura de calar a boca dela.
 - O.K. Desculpa. Voltando a você, Daniel... Você não contou ainda o motivo da sua palidez excessiva e essa cara de doente.
 Baixei os olhos até meu colo, brincando com uma costura solta da calça de moletom. Emma se aproximou, jogando seu braço sobre meu ombro. Soltei um suspiro sentido, permitindo que as lágrimas escorressem sem alarde.
 - Foi no dia 23 de Julho...

Los Angeles, 23 de Julho de 2014

 Entrei na casa abafada da vovó Erin e tudo estava como no verão passado. Algumas teias de aranha entre as paredes e o teto de madeira, e aquele cheiro insuportável que sopa de legumes.
 - Daniel! Nora! – falou vovó, com sua voz fanha e fofa ao mesmo tempo.
 - Vovó! - Nora e eu gritamos em uníssono, com belos sorrisos no rosto.
 - Não via a hora de vocês chegarem. Nora, seu quarto ainda é o mesmo. Está como você deixou no último verão que passou aqui.
 - Vovó, a Nora não passa o verão aqui desde que tinha seis anos. – sussurrei
 - Que bom. Um motivo a mais para vocês virem visitar sua velha avó. Agora se ajeitem que eu vou terminar a sopa.
 Nora disparou em direção ao corredor e eu coloquei as mochilas sobre a mesinha de centro da sala. Caminhei até a cozinha, onde o cheiro de brócolis e beterraba estavam ainda mais fortes...
 - Vó, quem em sã consciência almoça sopa todos os dias, quando se mora em Los Angeles?!
 - A vovó aqui; ué. Agora me ajude com a mesa.
***
  Depois de almoçarmos, dormimos algumas horas no sofá. Nora e eu fomos acordados pelos berros costumeiros da vovó.
 - Crianças, vamos! Vovó tem que se exercitar. Vovó é forte... Vovó é...
 - Uma velha chata, com energia e disposição demais para o meu gosto. – sussurrei, fazendo Nora rir, ainda de olhos fechados.
 O ar do lado de fora da cabana abafada era bem melhor. Só não sabia o que era melhor: o clima agradável, ou a calmaria do mar, que parecia ter se preparado para minha chegada. Olhei para Nora, que já se ajeitava na cadeira de balanço. Procurei pela minha vó, que me surpreendeu por já estar correndo. Soltei um risinho, tirei a camiseta e caminhei rumo ao mar. Não dei bobeira: me joguei de cabeça. A água estava em uma temperatura tão agradável, que eu poderia ficar ali para sempre.
 Relaxei, rezando para que o mar levasse embora todas as minhas dores. Todas as lembranças das brigas de papai e mamãe. A notícia do divórcio. As pancadarias. Os gritos e os choros. 
 Contudo, eles fizeram bem em nos levar para lá. Nora e eu não merecíamos passar por toda aquela dor.
 Foi então que uma onda surgiu do nada e atrás dela uma mais forte. Outra, e outra, empurrando a todos para fora da água. A maré ficou tão brava que eu me assustei. Nadei o mais rápido que pude, e quando já estava perto da areia, ouvi algo que se parecia com pedidos de socorro. Passei os olhos pelo mar, avistando bem no meio, alguém se afogando. Não sei se foi meu instinto de proteção, meu incrível amor ao próximo, ou minha propensão ao suicídio. Só sei que quando dei conta de mim, já estava com uma morena desacordada nos braços. Levei-a até praia, fiquei olhando em volta e esperando que algum parente ou amigo aparecesse. Mas nada aconteceu. Comecei a me sentir envergonhado, mas sem muitas opções, tentei respiração boca a boca. Para meu alívio, ela tossiu, cospindo água e tentando se sentar.
 - Epa, epa... Calma, moça. Está tudo bem agora!
 - O que aconteceu? – Ela piscava os olhos repetidas vezes, e sua voz aveludada parecia música.
 - Você... você quase se afogou, mas está bem. – Não tinha exatamente a certeza do porquê, mas estava encantado com ela - Fique calma, vai ficar tudo bem. Qual seu nome? – sussurrei, fitando seus grandes olhos azuis.
- Jazzy.


Continua...



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